A presente exposição, de âmbito conceptual, consubstancia-se numa sátira social, reflectindo na forma como a própria sociedade é criada, manipulada, manietada, sustentada e destruída pelos interesses de organismos “parasitários”. As organizações ditas de cariz político-partidário, religioso, económico, humanitário, ambientalista – uma mescla de todas e /ou partes delas - invadem o nosso quotidiano e manifestam a sua influência através de imposições normativas, mensagens - subliminares ou não - de onde advêm consequências directas e/ou indirectas para a nossa existência. Relembrar / alertar / sensibilizar / consciencializar / retratar são as intenções que sustentam a criação deste trabalho, que retrata a sociedade como o autor a vê e sente, e da mesma forma se opõe e resiste antagonicamente aos organismos que a desvirtuam. O próprio título “Os Escolhidos” denuncia as desigualdades existentes na sociedade em geral e a ligação sociológica - extremamente promíscua - deste fenómeno com as instituições religiosas dominantes, a saber, o Cristianismo, o Judaísmo, o Hinduísmo, o Budismo e o Islamismo. O início da série fotográfica capta o momento em que uma suposta deidade procede à “escolha” aleatória de indivíduos, que de imediato se transformam em “agentes de contaminação”. “Os escolhidos” são então marcados com os respectivos símbolos religiosos, verdadeiros “indultos” para a sua actuação na sociedade, repleta de “pecados” e contradições ideológicas. Segue-se uma representação metafórica - mas crua - das desigualdades sociais que se manifestam, desde logo, nas necessidades mais básicas e elementares do ser humano, na luta quotidiana pela (sobre) vivência. Denunciam-se os extremos de vida antagónicos, promovidos pelos grandes lobbies, em simbiose parasitária com as entidades religiosas, num círculo vicioso, onde já não se percebe “quem alimenta quem”, mas onde todos “os escolhidos” engordam… À semelhança da vida, a série fotográfica termina com a morte, onde expira também toda a desigualdade. A ironia reside na insistência da sociedade em “olhar para o próprio umbigo”, esquecendo-se que começa a morrer no exacto momento em que é cortado o cordão umbilical.